“Devo não me doer tanto. Sim, porque se procuro indícios teus, sou eu quem me machuca. Tu vives, perambulas, falas, cantas, choras, conjugas verbos da vida como era de se esperar. Não posso te pedir para simplesmente parar de viver pois a tua vivacidade me afeta. Não posso te pedir que pares, muito pelo contrário: deves sempre seguir, o mundo te precisa. Não fazes nada, e é exatamente o teu “nada” que causa reboliços e pisões em mim. É o teu “nada” que não cansa de ser o meu “tudo”. Esquece, guria. Vou parar com isso, com a ladainha de querer e querer desenfreadamente alguém - tu. Prometo: vou parar de me doer. Amanhã, quando esquecer da tua foto na minha cabeceira e deixar virar lixo, eu começo. Voltarei ao incomum e impessoal “você”, pois “tu” é sempre tu.